Nessa semana, vivemos todos um dia especial: a dia da volta de Michelle Neves ao Studio Brothers e ao coração do projeto The Chance. Algumas coisas o prenunciavam: não mais as frases metafísicas e às vezes à beira do barroco do vazio, mas um e-mail longo e prático falando em recomeço. Eu mesmo a esperei no terminal, mas juro que não a vi descer de ônibus algum. Ainda não descartei que ela tenha chegado mesmo de disco voador, bixo. Mas deixo pra lá. Raul Seixas e Arnaldo Baptista que nos esclareçam esse ponto. Pra variar mesmo, chegou quinze minutos adiantada. No caminho para o estúdio, que fica na zona zul de Capotes, conversei brevemente sobre o tempo em que estivera ausente das gravações. Por um hábito execrável que tenho, de ser uma péssima testemunha para os assuntos das intimidades, eu não me interessei ou não prestei muita atenção ao que me narrou entre os solavancos do ônibus e da voz. Depois, pensando sobre o que ouvi, pareceu-me tudo muito inverossímil e achei que alguma coisa devia ter respingado da mostarda dos passageiros ao lado que se deliciavam com um xis mais refri.
No estúdio, Wayner Nunes nos aguardava com sua costumeira cordialidade. O que tínhamos pela frente era o take de voz para uma música inédita, guardada entre os meus tesouros há mais de dez anos, até que uma pessoa, ainda que jovem, mas amadurecida pelos sofrimentos da vida, a cantasse de um modo que justificasse que se dissesse dela que “voltou”. Piedade.
“Piedade”, com Michelle Neves e em versão acústica, estará no nosso próximo Cd, já em fase de mixagem. Nossa princesa faz uma memorável participação especial. A maioria das músicas foram interpretadas por um intérprete masculino, do qual se falará aqui mais adiante. Somaram-se à nossa banda o acordeonista Alexandre Ramos e o batera Alexandre Becker. Valeu. hw
