Pedi, quando terminamos o cd Unpop, que cada um escrevesse algumas linhas sobre Michelle Neves, inclusive ela mesma. Eu, Wayner Nunes e Gentil Saraiva, que convivemos mais “longamente” com ela, escrevemos, cada um, um parágrafo. Dela mesma só recebi a seguinte linha: “Que difícil é descrever Michelle Neves; ainda não sei fazer isso!”. Não é possível depreender, pelo tom em suspenso da frase, que ela ainda vá fazer isso, pelo menos imediatamente. O que eu entendi é que ela não tomou a pergunta levianamente, muito menos entendeu que alguns dados biográficos ou curiosidades seriam o bastante. Se cada um de nós propusesse a pergunta a si mesmo, talvez pudesse entender o peso existencial que Michelle conferiu à pergunta, e então a veríamos (e a nós mesmos também) como um Hamlet diante do espelho ou diante de sua irmã gêmea. Não quero, com isso, estabelecer um paralelo analítico com o personagem de Shakespeare, a não ser pelo princípio de tudo: que Michelle realmente tratou a pergunta como pergunta, como “question” ou questão, e de que esse é igualmente o modo pelo qual a sua arte se exterioriza, mas tomada pelo inverso e resolutivo “ser” da frase: o difícil que se sabe fazer ou, “pelo menos”, enfrentar.
Setembro é o mês do aniversário da virginiana Michelle Neves. Parabéns, Michelle. “Beatitude!”, como diria Descartes, que é aquela felicidade que depende inteiramente de nós mesmos. Parabéns de toda a equipe: direção, produção, banda, carregador de palavras. Happy birthday, princess. We’re gonna have a good time.

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