Quem grava com o Wayner quer sempre gravar com o Wayner. Essa é uma máxima dos frequentadores e usuários do estúdio do nosso diretor musical. Eu, que cheguei no início do 2009, tive o meu trabalho de gravação aos cuidados de um funcionário, na ocasião, do estúdio. Wayner Nunes era uma ou outra vez solicitado para dirimir alguma dúvida, resolver algum problema mais complexo da gravação. O resto do tempo, que eu me lembre, subia e descia uma escada correndo atrás de outros compromissos profissionais. No entanto, como fiquei sabendo depois, Wayner observava com interesse o que fazíamos, mas sem se intrometer porque, naquela circunstância, essa não era a sua competência. Todos éramos clientes igualmente e era preciso respeitar a hierarquia ou as atribuições de cada um. Somente quando comecei a gravar com ele, por sorte minha, é que comecei a ver, na prática, a sua eficiência e sua capacidade de resolver problemas e desafios em espaço reduzido de tempo. Por isso, o cognominei de “Romário dos estúdios”, título que ele, como sorridente amante do bom futebol, não recusou. É claro que para saber se é verdadeiro o que digo, musicalmente falando, é preciso escutar o CD Unpop, no qual lhe coube, além de algumas parcerias em composições, a responsabilidade da direção e dos arranjos.
Na foto acima, estou, em segundo plano, ao lado de Wayner Nunes em uma de nossas tantas sessões de criação de novas músicas, gravação de guias e mixagem de músicas. Sartre, no final de A Náusea, imagina um lugar existencial, precioso e meio lendário, em que se teria dada a criação do jazz “Some of these days”. Não quero aqui, nesse paralelo que me vem à mente, parecer nem ser presunçoso musicalmente falando. Nem de outra forma. Mas é isso: um lugar em que se cria, em que a arte nasce e toma forma, tem um significado para o nosso vir-a-ser e, se entendi Sartre nesse ponto, se a obra de arte nasce, quase inumana ou mineral em um lugar como esse ou até menos formal, então a lembrança desse passado próximo ou remoto em que a criação aconteceu atenua, como um sorriso atenua uma linha de expressão, a insignificância da existência humana.
Vocês vão encontrar, no YouTube, “Some of these days” em muitas versões e interpretações. hw

